quinta-feira, 18 de junho de 2015

História da Família Nascimento Nogueira de Souza
Introdução
Agora são exatamente 6 horas e 20 minutos do dia 21 de novembro de 2004.  Acordei com um desejo muito forte de começar a escrever esta história. Não sei com certeza qual o motivo deste sentimento, porém, acreditando na força ainda desconhecida dos laços que nos unem aos nossos antepassados, conhecimento este obtido  através de experiências espirituais significativas, que oportunamente serão detalhadas, resolvi atender este apelo dos ancestrais, para que no futuro não seja repreendido por eles quando estivermos novamente reunidos.
                        Acredito que todos temos a obrigação e o privilégio de não esquecer de quem nós viemos, porque fazem parte de nós, tanto fisicamente quanto espiritualmente. Quanto à nossa ligação física não pode existir qualquer dúvida já que a ciência tem nos ensinado isto com bastante precisão por meio da medicina e é por meio dela que podemos chegar também à segunda conclusão quando estiver mais desenvolvida neste ponto. Ela já começou a se envolver nesta matéria, de acordo com um médico muito meu amigo, pesquisador que é da medicina tradicional e da medicina alternativa. Este assunto será apresentado no capítulo ...
                        Neste momento estou sentado na cadeira onde meu pai adotivo sentou por muitos anos e escrevendo sobre a mesa que o serviu e o ajudou a escrever tanta coisa importante, que infelizmente está presa em livros ou mensagens ainda não reveladas, aguardando-me para que tenham vida novamente. Estes trabalhos poderiam ser dispensados se esta cadeira e esta mesa pudessem falar. E teriam ajuda substancial de sua estante, cujas prateleiras fazem parte de minha biblioteca. Quanta informação teria de seus sentimentos, de suas experiências, de seu conhecimento! Ele seria outro exemplo do assunto que vai ser tratado nesta obra. Ele foi outro nordestino que deu certo, que sobreviveu às dificuldades da vida do interior do sertão brasileiro, luz que brilhou no seu tempo, que ficou um pouco apagada devido à falta de memória nacional, mas não desapareceu no meu coração. Sua chama ainda está acesa , porque não está esquecido, só espera a ocasião em que envolverá as páginas de sua biografia, já iniciada, mas precisando de mais pesquisa sobre a sua infância. Sem ela, sua história não pode ser contada, porque é a base de tudo o que aconteceu em sua vida. Do mesmo modo, a vida destes dois anjinhos não continuaria, não teria sentido, sem que se contasse sua infância.
                        Todos nós temos uma crença. Acreditamos em algo de nossa escolha ou não, mas acreditamos. Não vou deixar de falar sobre religiosidade porque está dentro de mim. Porém não quero influenciar ninguém, não é este meu objetivo. Vou contar apenas experiências vividas, meu ponto de vista, deixando o leitor livre para concordar ou discordar de minhas opiniões, conforme a consciência de cada um, a sabedoria de cada um. Só afirmo, em sinal de respeito ao leitor, seja parente, amigo ou desconhecido, não importa, que tudo o que for dito é verdade. Se alguém souber de algo que não esteja correto, solicito que se comunique comigo, para que a verdade seja soberana. Estou dizendo isto, porque nem sempre dados familiares estão corretos, por várias razões. A genealogia é muito dinâmica e temos que aproveitar as ocasiões que surgem para faze-la, porque senão a oportunidade desaparece e nem sempre volta a se apresentar. E na ansiedade do momento, pode não ser tão precisa  a coleta de dados. Dados estes que para mim não são simplesmente números, datas, nomes e fatos. São vivos, vem carregados de sentimentos de amor, respeito e admiração.
 Nem sempre estes sentimentos são dispensados a nós, nordestinos. Mais uma razão para escrever esta história. Não faltam exemplos de nordestinos famosos, porém gostaria de homenagear não apenas estes, mas também e principalmente o povo nordestino comum, aquele que sai do seu lar e muitas vezes não consegue voltar devido aos problemas da vida. Que está numa cidade grande, diferente de tudo que conheceu e viveu na infância, e é obrigado a se adaptar para sobreviver. Que precisa de uma força a mais para acreditar em si mesmo, para ter amor próprio novamente. Digo a todos vocês: não estão sozinhos. Permita Deus que minhas palavras consigam trazer ânimo a seus corações partidos pelas desilusões da vida. Se estão lendo é porque já conseguiram alcançar o que muitos querem. Já sabem ler. Contudo, isto é apenas o começo. É preciso saber ler bem, escrever bem, para ter sucesso na vida. Não deixem que outros pensem por vocês. Estudem para que tenham suas próprias decisões, para que saibam o que estão fazendo, para que tenham a liberdade de pensamento! Planejem para o futuro. Não deixem que a vida passe em branco! Se temos alguma coisa hoje, é porque alguém lá atrás fez muito esforço para conseguir deixar para nós uma herança, principalmente aquela que nos deixou um bom nome, boas maneiras e honestidade. Caso ainda não puderam nos dar condições financeiras adequadas, cabe a nós lutar para que deixemos também esta herança aos nossos descendentes, além daquela.
Eu sou um quase anjinho de 48 anos. É quase meio século de vida. Muitos da família nordestina com esta idade estão virando anjinho agora, lá no interior, depois de muito trabalhar na lavoura. A minha vida está começando agora e espero termina-la cultivando minha terra. Estou plantando sementes de trabalho para conseguir esta meta. Pretendo ajudar meus parentes mais pobres quando tiver melhores condições financeiras e puder comprar estar terras e mostrar para eles o que fazer com as deles. O exemplo vale mais do que mil palavras...
O outro quase anjinho é minha irmã. Apesar dos sofrimentos da vida, já conseguiu voltar para o nordeste e tem uma vida tranqüila agora.

Passamos juntos por uma experiência maravilhosa que, tenho certeza, emocionará a todos. Não posso deixar de contar esta história. Seria deixar de mostrar minha gratidão a Deus por esta benção. Seria ingratidão com as pessoas que foram responsáveis por continuarmos vivos. Seria ingratidão com as pessoas que deixariam de crescer sabendo desta história. É um legado que quero passar aos nossos descendentes e aos nossos antepassados, porque todos fazem parte dela.
  

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