Introdução
Agora são exatamente 6 horas e
20 minutos do dia 21 de novembro de 2004.
Acordei com um desejo muito forte de começar a escrever esta história.
Não sei com certeza qual o motivo deste sentimento, porém, acreditando na força
ainda desconhecida dos laços que nos unem aos nossos antepassados, conhecimento
este obtido através de experiências
espirituais significativas, que oportunamente serão detalhadas, resolvi atender
este apelo dos ancestrais, para que no futuro não seja repreendido por eles quando
estivermos novamente reunidos.
Acredito que todos temos a obrigação e o
privilégio de não esquecer de quem nós viemos, porque fazem parte de nós, tanto
fisicamente quanto espiritualmente. Quanto à nossa ligação física não pode
existir qualquer dúvida já que a ciência tem nos ensinado isto com bastante
precisão por meio da medicina e é por meio dela que podemos chegar também à
segunda conclusão quando estiver mais desenvolvida neste ponto. Ela já começou
a se envolver nesta matéria, de acordo com um médico muito meu amigo,
pesquisador que é da medicina tradicional e da medicina alternativa. Este
assunto será apresentado no capítulo ...
Neste momento estou sentado na cadeira onde
meu pai adotivo sentou por muitos anos e escrevendo sobre a mesa que o serviu e
o ajudou a escrever tanta coisa importante, que infelizmente está presa em
livros ou mensagens ainda não reveladas, aguardando-me para que tenham vida
novamente. Estes trabalhos poderiam ser dispensados se esta cadeira e esta mesa
pudessem falar. E teriam ajuda substancial de sua estante, cujas prateleiras
fazem parte de minha biblioteca. Quanta informação teria de seus sentimentos,
de suas experiências, de seu conhecimento! Ele seria outro exemplo do assunto
que vai ser tratado nesta obra. Ele foi outro nordestino que deu certo, que
sobreviveu às dificuldades da vida do interior do sertão brasileiro, luz que
brilhou no seu tempo, que ficou um pouco apagada devido à falta de memória
nacional, mas não desapareceu no meu coração. Sua chama ainda está acesa ,
porque não está esquecido, só espera a ocasião em que envolverá as páginas de
sua biografia, já iniciada, mas precisando de mais pesquisa sobre a sua
infância. Sem ela, sua história não pode ser contada, porque é a base de tudo o
que aconteceu em sua vida. Do mesmo modo, a vida destes dois anjinhos não
continuaria, não teria sentido, sem que se contasse sua infância.
Todos nós temos uma crença. Acreditamos em
algo de nossa escolha ou não, mas acreditamos. Não vou deixar de falar sobre
religiosidade porque está dentro de mim. Porém não quero influenciar ninguém,
não é este meu objetivo. Vou contar apenas experiências vividas, meu ponto de
vista, deixando o leitor livre para concordar ou discordar de minhas opiniões,
conforme a consciência de cada um, a sabedoria de cada um. Só afirmo, em sinal
de respeito ao leitor, seja parente, amigo ou desconhecido, não importa, que
tudo o que for dito é verdade. Se alguém souber de algo que não esteja correto,
solicito que se comunique comigo, para que a verdade seja soberana. Estou
dizendo isto, porque nem sempre dados familiares estão corretos, por várias
razões. A genealogia é muito dinâmica e temos que aproveitar as ocasiões que
surgem para faze-la, porque senão a oportunidade desaparece e nem sempre volta a
se apresentar. E na ansiedade do momento, pode não ser tão precisa a coleta de dados. Dados estes que para mim
não são simplesmente números, datas, nomes e fatos. São vivos, vem carregados
de sentimentos de amor, respeito e admiração.
Nem sempre estes sentimentos são dispensados a
nós, nordestinos. Mais uma razão para escrever esta história. Não faltam
exemplos de nordestinos famosos, porém gostaria de homenagear não apenas estes,
mas também e principalmente o povo nordestino comum, aquele que sai do seu lar
e muitas vezes não consegue voltar devido aos problemas da vida. Que está numa
cidade grande, diferente de tudo que conheceu e viveu na infância, e é obrigado
a se adaptar para sobreviver. Que precisa de uma força a mais para acreditar em
si mesmo, para ter amor próprio novamente. Digo a todos vocês: não estão
sozinhos. Permita Deus que minhas palavras consigam trazer ânimo a seus
corações partidos pelas desilusões da vida. Se estão lendo é porque já
conseguiram alcançar o que muitos querem. Já sabem ler. Contudo, isto é apenas
o começo. É preciso saber ler bem, escrever bem, para ter sucesso na vida. Não
deixem que outros pensem por vocês. Estudem para que tenham suas próprias
decisões, para que saibam o que estão fazendo, para que tenham a liberdade de
pensamento! Planejem para o futuro. Não deixem que a vida passe em branco! Se
temos alguma coisa hoje, é porque alguém lá atrás fez muito esforço para
conseguir deixar para nós uma herança, principalmente aquela que nos deixou um
bom nome, boas maneiras e honestidade. Caso ainda não puderam nos dar condições
financeiras adequadas, cabe a nós lutar para que deixemos também esta herança
aos nossos descendentes, além daquela.
Eu sou um quase
anjinho de 48 anos. É quase meio século de vida. Muitos da família nordestina
com esta idade estão virando anjinho agora, lá no interior, depois de muito
trabalhar na lavoura. A minha vida está começando agora e espero termina-la
cultivando minha terra. Estou plantando sementes de trabalho para conseguir
esta meta. Pretendo ajudar meus parentes mais pobres quando tiver melhores
condições financeiras e puder comprar estar terras e mostrar para eles o que
fazer com as deles. O exemplo vale mais do que mil palavras...
O outro quase anjinho
é minha irmã. Apesar dos sofrimentos da vida, já conseguiu voltar para o
nordeste e tem uma vida tranqüila agora.
Passamos juntos por
uma experiência maravilhosa que, tenho certeza, emocionará a todos. Não posso
deixar de contar esta história. Seria deixar de mostrar minha gratidão a Deus
por esta benção. Seria ingratidão com as pessoas que foram responsáveis por
continuarmos vivos. Seria ingratidão com as pessoas que deixariam de crescer
sabendo desta história. É um legado que quero passar aos nossos descendentes e
aos nossos antepassados, porque todos fazem parte dela.
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